- Affiche Gempac, zusterorganisatie in Belem
'Belezas exóticas', assim os clientes holandeses gostam de perceber nossas colegas brasileiras. Mas a realidade é muito distante do Carnaval no Rio e Copacabana. Até alguns anos atrás a maioria das brasileiras envolvidas no trabalho sexual se concentrava no leste do país. Elas chegaram a este país via Suriname. E tiveram que pagar caro por seu trabalho em clubes do interior, seis delas até mesmo com suas próprias vidas.
Uma triste baixa foi um incêndio em uma boate onde queimaram até a morte. Agora a maioria das mulheres brasileiras que conhecemos ainda trabalha em clubes.
' Nunca fazemos compras na cidade grande', um destas mulheres contou a nosso colega. Não lhes era permitido encontrar outro lugar para trabalhar. E nem sempre puderam escolher os próprios clientes. Em alguns lugares e esperado que aceitem qualquer cliente que tenha pago a taxa de entrada. Mas não ter os documentos certos não significa que você pode ser forçada a aceitar qualquer cliente. Se você conhece mulheres em tais situações, coloque-as em contato conosco.
Mas também encontramos algumas brasileiras envolvidas no trabalho sexual que são muito conscientes nas 'vitrines' e lá fora, nas ruas. Mesmo que elas não tenham documentos, ainda assim podem associar-se a nós como um tipo de união comercial. Contudo não podemos facilitar ou prover documentos. Elas não precisam dar seus nomes e não têm que se tornar sócias. União comercial que sindicaliza os trabalhadores de sexo é uma tradição estabelecida no Brasil. Endereços nesta revista.
Se alguns destes questionamentos têm a ver com você, algo está errado. Entre em contato conosco. Nos somos Sua informação está segura conosco. Ligue-nos a qualquer hora para tartar qualquer questão. Não precisa se identificar, sempre pode ficar anónima
020- 6243366
1Trabalhar na prostituição é mais difícil do que pensei
2. Eu trabalho muitas horas por dia
3. Não posso largar este trabalho porque preciso ganhar muito dinheiro
4. Eu nunca quis trabalhar em lugares como este
5. Eu nunca quis trabalhar como prostituta
6.,Eu fui estuprada para me submeter a este trabalho
7. Só posso tirar um dia de folga quando termino de pagar todas as minhas dívidas
8.Me prometeram outro tipo de trabalho, mas ainda não tem vaga
9.No início trabalhei apenas para garantir hospedagem e alimentação
10.Me prometeram muito mais dinheiro do que estou ganhando
11. Só recebo trocados
12. Tenho muitas dívidas
13. Tenho medo que algo possa acontecer com a minha família se eu não pagar a dívida
14. Me disseram que é normal entregar uma parte grande do dinheiro
15. O dinheiro que ganho é guardado e só receberei quando for embora
16. Preciso ganhar uma quantia mínima por dia antes de poder parar
17. Não sei quanto ganho por dia. Uma outra pessoa administra isto
18. Preciso pagar muito dinheiro para as pessoas que prepararam meus documentos
19. Alguém guarda meu passaporte para que ninguém possa roubá-lo
20. Meus documentos não estão em ordem mas alguém está dando conta disso
21. Conheço alguém que pode conseguir um marido para mim
22. Alguém me comprou
23. Se eu protestar posso ser vendida para alguém pior do que este para quem trabalho agora
24. Dizem que é melhor não sair para evitar problemas com a polícia
25. Não sou livre para ir e vir onde eu quero
26. Não posso entrar em contato com a minha família
27. Se eu não obedecer eles contarão à minha família sobre o trabalho que faço
28. Se eu tentar escapar, o meu filho corre risco
29. Tenho medo da polícia
30 Não conheço ninguém em quem posso confiar
Seja forte
Voce nao está sozinha
Levantese por seus direitos
Voce é inocente
Nao percao seu autorespeito
Nunca desiste
Juntos somos fortes
Venceremos
“Mulher da vida, minha irmã”
De todos os tempos
De todos os povos
De todas as latitudes
(...)
Carrega a carga pesada
Dos mais torpes sinônimos
Apelidos e apodos:
Mulher da zona
Mulher da rua
Mulher perdida
Mulher à-toa.
Pisadas, espezinhadas, ameaçadas,
Desprotegidas e exploradas
Ignoradas da lei, da justiça e do direito
Necessárias fisiologicamente
Indestrutíveis
Sobreviventes
Possuídas e infamadas sempre
(...)
Mulher da vida
Minha irmã
Marcadas, contaminadas
Escorchadas, discriminadas
(...)
Na fragilidade de sua carne maculada
Esbarra às exigências impiedosas do macho.
Sem cobertura das leis
E sem proteção legal
Ela atravessa a vida ultrajada
E imprescindível, pisoteada, explorada
Nem a sociedade dispensa
Nem lhe reclama os direitos
Nem lhe dá proteção.
Fragmentos del poema “Mulher da vida, minha irmá”de Cora Coralina.











